VEJA – SÃO PAULO (02/11/05)
Nova modalidade de assalto nos Jardins:
bandidos rendem manobristas e roubam até cinco carros de uma vez
|
Seguranças protegem a unidade da rede Estapar na Alameda Santos. Abaixo, 25 câmeras fazem a vigilância de uma garagem na Paulista: medidas preventivas |

|
Amarrado com cordas de violão e trancado dentro do porta-malas de um Gol preto, o manobrista Herculano Martins Cordeiro só conseguia ouvir o ronco dos motores arrancando em disparada pela Rua Melo Alves, no Jardim Paulista. Eram um Audi, um BMW, um Golf, um Marea e um Stilo. Todos foram roubados, às 23h50 do dia 30 de setembro, por uma quadrilha especializada em arrastões nos estacionamentos da cidade. "Em cinco minutos eles fizeram o rapa", conta Cordeiro. "Ainda fiquei um tempão gritando até alguém vir me soltar."
Nos últimos meses, cenas como essa se tornaram cada vez mais rotineiras, principalmente na área de abrangência do 78° DP – o cintilante quadrilátero formado pela Avenida Brasil, Alameda Gabriel Monteiro da Silva, Avenida Brigadeiro Luís Antônio e parte da Paulista. Só naquela região, fartíssima de carrões poderosos, a polícia somou onze ocorrências desse tipo desde junho. No ano passado, foram catorze.
Os bandidos agem quase sempre da mesma maneira. Chegam em um automóvel roubado, descem armados com pistolas automáticas e rendem os funcionários, geralmente apenas dois ou três. Em seguida, cada um dos assaltantes leva um carro diferente. Tudo muito rápido e fácil, mesmo porque, em grande parte dos estacionamentos, as chaves normalmente dão sopa nos pára-brisas ou pneus dos automóveis.
No último dia 15, sábado, houve outra ocorrência idêntica. Com visual clubber, três homens invadiram um estacionamento na Rua da Consolação, dominaram os dois manobristas e saíram tranqüilamente a bordo de três veículos. Segundo a polícia, eles seguem direto para desmanches clandestinos na periferia de São Paulo e Osasco. Um desses carros roubados, uma Blazer comprada quatro meses antes por 105.000 reais, pertencia ao engenheiro Sábato Murer. "Parei ali para ir jantar em um restaurante com minha mulher", afirma. "Ainda paguei os 15 reais adiantado!" Outro veículo roubado no mesmo assalto foi o Audi A3 prata, blindado, do estudante de publicidade Rafael Mattos Torres. "Se não dá para colocar meu carro em um estacionamento pago sem ficar preocupado, onde mais posso deixá-lo?", pergunta.
Dono de um estacionamento na Rua Padre João Manoel que funcionava 24 horas, o empresário Dirceu Ilva Queiroz jogou a toalha. Após investir cerca de 2.000 reais em uma cancela eletrônica com um sistema de alarme ligado diretamente a uma empresa de segurança – e ainda assim sofrer duas vezes com os arrastões em menos de um mês –, ele passou a fechar no fim da tarde. "Logo que escurece eu tranco as portas", diz Queiroz, que deixou de ganhar mais de 3.000 reais por mês com a debandada de clientes. "Uma vez, os assaltantes bateram no meu manobrista e chegaram a atropelar dois usuários durante a fuga. Não quero que alguém morra dentro do meu estacionamento."
Mesmo as garagens que nunca tiveram problemas com os arrastões estão se precavendo. Na Alameda Santos, seguranças ficam sempre de plantão em uma unidade da rede Estapar. Ali perto, na Avenida Paulista, outro estacionamento dispõe de uma central de vigilância com 25 câmeras. Policiais da delegacia dos Jardins têm realizado diversas investigações para identificar os assaltantes. Uma das primeiras medidas adotadas foi o cadastramento dos estacionamentos da área e seus respectivos funcionários. "Faremos um monitoramento com os dados para evitar esse tipo de ação", diz a delegada do 78º DP, Elisabete Ferreira Sato.
Mais roubos
• Em 2004, foram registradas no 78° DP, nos Jardins, 14 ocorrências de arrastões em estacionamentos
• Neste ano, o número saltou para 20, sendo que 11 dessas ações ocorreram nos últimos cinco meses
Como os bandidos agem
• A quadrilha, formada por três a cinco assaltantes, entra no estacionamento a pé ou de carro. Em geral, eles estão bem vestidos e mostram-se educados até anunciar a ação
• Para render os manobristas, costumam amarrá-los e amordaçá-los
• Como normalmente os funcionários deixam as chaves dos veículos no pára-brisas ou em cima do pneu dianteiro esquerdo, os assaltantes não têm problemas em sair dirigindo o maior número possível de carros |
LEIA MAIS:
- Três são presos após arrastão em estacionamento na Lapa
- Ladrões fazem arrastão em estacionamento de S. Caetano
- Ladrões fazem arrastão em estacionamento e levam cinco carros em São Paulo
- Criminosos levam nove carros de estacionamento em SP
- Quadrilha faz arrastão em estacionamento na Grande SP
- Bandidos invadem estacionamento e roubam três
- Roubo em estacionamento na Zona Norte de SP
 
|